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08/02/2010
Setor em Mato Grosso aposta na moda para ampliar consumo interno
Landsmark Comunicação

Nunca o setor do vestuário em Mato Grosso esteve tão promissor. Apesar de ainda estar atrás dos grandes centros, como Paraná, São Paulo e Nordeste, em relação ao número de indústrias, o Estado vem crescendo continuamente nos últimos seis anos. Grande parte desse fomento, segundo a presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário do Estado de Mato Grosso (Sinvest), Cláudia Fagotti, deve-se à ampliação da produção para o setor da moda.

Tradicionalmente, as indústrias de Mato Grosso estavam voltadas à confecção de uniformes. Hoje, ainda 70% dos empreendimentos são de produção dessa linha. "Mas estamos percebendo um movimento forte em direção à produção para consumo social, com indústrias, varejistas e lojistas focando suas atividades para a moda", avalia Cláudia. O setor gera, atualmente, cerca de 16 mil empregos diretos e 48 mil indiretos.

Só para se ter uma ideia do tamanho do mercado consumidor de Mato Grosso, as mais de 1.000 indústrias instaladas no Estado direcionam 80% da sua produção para consumo interno. Mas ainda assim, atendem a somente 2% da demanda local. "Ou seja, 98% do que é comprado em Mato Grosso vêm de outros Estados. Isso significa que temos um grande trabalho pela frente: precisamos mostrar que a nossa produção tem tanta qualidade e estilo como qualquer outra indústria do país", analisa.

A própria empresária está entrando nesse filão do mercado da moda. E o destaque vem de uma parceria com outra empresária de Rondonópolis, Patrícia Carvalho. A estilista iniciou seus trabalhos com a ideia inovadora de utilizar o tecido de algodão cru em peças e vestidos de alta costura. "Comecei fazendo roupas para uso pessoal, mas recebi incentivo de entidades ligadas ao setor empresarial e comecei a produzir também para venda. Hoje, posso dizer que estou no mercado e conquistei um nicho de roupas e acessórios exclusivos feitos de algodão cru que não existe em nenhum outro Estado", explica Carvalho.

As empresárias agora assumem o desafio de inaugurar uma loja em Cuiabá, a PANÔ, para ser o ‘show room' das peças produzidas na indústria. A moda do algodão, além de ser uma novidade no mercado brasileiro e internacional, também tem grande valor agregado. Mesmo utilizando matéria-prima simples, como algodão e bordados, as roupas são consideradas alta costura - pela originalidade e qualidade da produção -, e têm preços que variam de R$ 300 a R$ 5 mil. "Fazemos modelos exclusivos, com design e detalhes que encantam quem vê", adianta Patrícia.

O diferencial da produção da PANÔ é a valorização do regional. As empresárias acreditam que esse investimento irá fomentar ainda mais a produção local e a atração de novas indústrias e atores da cadeia produtiva. "Somos o maior produtor de algodão do país e não industrializamos esse produto internamente. Existe ainda grande oportunidade de mercado de tecelagem para fornecimento de tecido às indústrias locais. Com o aumento do consumo interno, novos investimentos são atraídos para o Estado, gerando emprego e renda", analisa Fagotti.

INCENTIVO - Grande parte do fomento da cadeia produtiva do vestuário em Mato Grosso vem de apoio de entidades ligadas ao setor. Uma delas é o SEBRAE que gerencia os Arranjos Produtivos Locais (APL's) de Rondonópolis e Grande Cuiabá (Cuiabá e Várzea Grande), os dois principais pólos de produção do Estado. Os APL'S contam, ainda, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai - MT), Ministério da Integração Nacional e prefeituras municipais.

Segundo a presidente do Sinvest, os arranjos produtivos são importantes para a qualificação do empresariado local e apresentação de novas tecnologias e formas de produção. "As missões empresariais organizadas para feiras do setor no Brasil e no mundo também são um grande incentivo e possibilitam a abertura, não apenas de novas ideias, mas principalmente de mercado", avalia Cláudia.

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